terça-feira, 16 de setembro de 2008

Angustia e ação



À noite na cama sentado.
Sentado calado na cama.
A cama me acalma calada.
Calada a cama reclama.

À noite silencio total.
Total é palavra da noite.
Ouvir-te é um tom desigual.
Senti-la é medo do açoite.

Ouvir-te requer tradução.
Tradução é ação a fazer.
Fazer convoca união.
Porque ação é um agir sem saber.

Coragem na noite falante.
Falante pra noite calada.
Olhar-te assombrou-me um instante.
E traduzir-te é uma triste piada.

Pensar é agir ou chorar.
Tristeza é chorar sem agir.
Felicidade é agir sem pensar.
E o medo é ficar sem partir.

A cama não pensa, mas age.
Eu ajo pensando na cama.
O silencio ganhou em palavras.
Sai da cama que a vida te chama.

A cama é o coma do corpo.
O corpo é a cama da carne.
A carne em coma no corpo.
É o homem perdido em vontades

sábado, 13 de setembro de 2008

Deus x ímpio = barroco hipermoderno



“Dedico esta crônica ao saudoso Elnatã Misael, que assim como eu, tem cadê vez mais dedicado o nobre tempo à introspecção”. Digno ainda de dedicatória é o fato de o nobre colega, comungar com a minha pessoa o sentimento de espectador da vida. Um observar e assistir a vida, que tem cada vez mais nos mostrado o quanto é dificil testemunhar a morte da “ingenuidade humana”. Ingenuidade humana, que tem a sua existência muito bem representada pelo homem da zona rural, homem que chupa o bago da jaca e trepa com seus animais...

São por volta das 01h05min da madrugada, madrugada esta que antecede a prova de psicologia sistêmica. Estou literalmente rebolando sobre a cadeira (não sei o porquê) e a devanear sobre o grande e sempre onipotente “papai do céu”.
Primeiro quero dizer-lhes que estou morrendo de medo de falar de Deus. Cresci entre evangélicos e católicos, e sempre fui pelos mais velhos informados que o Deus tudo vê e tudo sabe sobre mim.
Partindo desse fato, o que vou contar só será novidade para os caros leitores, isso porque deus dessas letras já sabia, e eu agora a escrevê-las não terá para ele nenhuma novidade. De qualquer forma “todo poderoso” mil desculpas, estou a te xingar, mas confesso que o meu cú esta piscando... Lá vamos nós!
Nesse exato momento estou fazendo careta e ficando zarolho, é um ritual cabalístico do acasalamento e que antecede a escrita.
Estou a me perguntar se todos já tiveram pelo menos uma vez medo do universo. Do big bang ou bang bang urbano? Medo do infinito ou de morrer? Vou confessar-lhes que tais mistérios sempre me assombraram, tinha tanto medo que a barriga gelava e sofria taccardia, era quando eu então gritavaaaa me debatendo, e acabava por exorcizar o medo e o demônio que me faziam pensar sobre tais coisas (segundo mamãe era o cão), eu acredito que era a razão.
Passado alguns anos e o universo ter perdido seu assombro, culpa de Morin, me vejo pensando hoje sobre Jha, ALÁ (não a marca de sabão em pó), Deus e derivados.
Deus é o cara que da voz e sentido ao universo, explicou tudo, confortou-me, criou tudo lindo e maravilhoso e depois descansou. E quando descansou provavelmente deve ter sido massageado por uma dessas “deusas terrestres” que devem ter a sua matriz no céu, claro, ou você acha que deus é algum otário? Estou me referindo às mulheres frutas brasileiras, a mulher melancia, a bananinha, dessas mulheres frutas que só brotam de um país fértil como o Brasil e que só duram uma estação, aproveitem!
Deus ou papai do céu para os íntimos e que reconhecem a sua paternidade, é uma espécie de Narciso-Exibicionista. Ele só nos criou para que possamos adorá-lo, rezar e orar pra ele, elogiá-lo, agradecer-lhe, e chamá-lo de pai sem exigir DNA. Tudo isso para que se dermos sorte e ele julgar-nos filhos bons, contemplar-nos com um carro ou a cura de um câncer isso sendo otimista. Se isso não ocorre, ta tudo bem, foi deus que quis assim. Foi deus que fez você o céu, o brilho das estrelas e o seresteiro blá blá... Deus é um pai bom e de relações recíprocas para com seus filhos. Foi deus quem criou o 11ª mandamento “é dando que se recebe”... Estabelecemos com nosso pai o que a biologia vai chamar de relação parasitaria, peço e dou e ele dá e recebe... Pedidos e orações.
Desculpe senhor, mas é que há muito tempo esse filho excomungado tem lhe batido na cara.... Comecei batendo, quando bati e nasceu pelos, quando fiz sexo antes do casamento e quando aplaudi Darwin. Não que eu de razão a Darwin, acho que a mãe dele veio do macaco, eu mesmo vim não, sou imberbe porra e não tenho pelos. Eu acredito ter vindo de uma margarida...
Voltando aos tapas em deus, na universidade por ex: todo dia lhe chutamos a face. A minoria intelectual do país esta condenada ao inferno (quero lá chegando encontrar Cristóvão Buarque ou Freire). Como me conheço, provavelmente iremos reformar o sistema de ensino do inferno “que foi idealizado por lúcifer há muito tempo atrás e se encontra defasado”. Vamos propor novas formas de se beber, novas formas de fritar a alma, ensinar novas posições a Maria Padilha (apelidada de pomba gira). E vamos claro, problematizar questões pra conscientizar os demônios, para que, por favor, nessa eleição que chega, eles não elejam ACM em primeiro turno contra Lúcifer. O inferno não pode virar a Bahia. Oxalá minha mãe.
Alguns leitores reclamaram dos longos textos, então é na tentativa de reduzi-lo que serei breve. Como falei de eleição no inferno e eleição remete democracia, e a crônica é sobre Deus, vou então misturar tudo e dar um ponto final.
Essa nossa possibilidade e liberdade de escolha, essa “democracia” ela transecende ao estritamente eleitoral ela se expande e serve também ao divino, a sua escolha. Escolher Deus hoje é algo bem mais democrático do que a séculos atrás, atualmente a inquisição não queima ninguém, só o inferno queima. Deus o nosso grande candidato, se apresenta atualmente em diferentes formas, temos o Deus light, diet que não engorda, temos o Deus forte que persegue o mal, o Deus em carne e osso, e ate um Deus cientifico etc.
Em tempos de eleições que definiraão minha vida, eu optei por um Deus mais completo, que é o Deus que protege 24hs e que se apresenta em tamanho básico. Deus metamorfoseou-se e se metamorfoseia ao gosto do freguês (compra-se baratinho ou não um deus legal) o meu Deus protege-me tão bem, que eu o chamo carinhosamente de DEUS-ODORANTE, proteção 24hs.
Depois de escrever essa desgraça (que não sei se é crônica) só me resta esperar o castigo, isso se eu não me arrepender antes e conseguir me livrar de mais essa é claro. Com meu Deus é assim, peca-perdoa, peca-perdoa, peca perdoa...
Pois bem meus amigos, o sujeito hipermoderno funciona assim, e em tempos onde se matou a doutrina, educação e politização, só me resta estar sendo esse moderno barroco, que em meio a toda essa confusão se mantem entre o sagrado e o profano... Sabendo que o eu de agora não será o de amanha, porque ser moderno exige um estar em transformação, que é aquilo que os cibernerticistas de 2ª ordem já tinham compreendido “ser moderno é estar com o sistema em morfogênese” porque desde a antiguidade sabemos que tudo Pantahei, inclusive a uva que também passas.

domingo, 7 de setembro de 2008

A reflexão épica: um homem comum e de espécies diferentes


Quero alertar aqueles que estão sem muito tempo pra perder com bobagens, que não leiam esta crônica. Não quero que leiam para que não passem raiva em tempos de stress. É uma escrita banal e sem lógica, e acredito que pouco tenha a acrescentar, aos que tem ou não tempo! Repito não me responsabilizo não percais seu tempo.

Queria muito antes de relatar o ocorrido do mundo externo, fazer um desabafo do meu mundo interno, que há muito tempo, já não caminha bem. O meu grande problema é que tenho dormido em media 3:30 por dia, e isso tem me deixado cada dia mais abstrato, tenho me sentido muito mal, e acredito que agora preciso de ajuda... Sugiram! O que se pode fazer em dias assim? Ajudem-me, por favor. Vamos lá... Vou dizer-lhe sobre o que se passou as 7:00 da manhã de hoje.
Comecei o dia com um mau humor do capeta, a face desconfigurada, muito sono e um pensamento fixo e retroativo “morrer o período de um mês e depois ressuscitar (assim como o Messias) quero um bom tempo morto, porque quero descansar, e o grande milagre senhor seria tu meu painho deixar-me dormir em paz”.
É incrível como me sinto mal depois de uma noite desgraçadamente dormida. Mas vou ao que interessa. Peguei um buzão e desci lá na rodoviária, sai do carro cambaleante, a boca seca, um boné meio verde e todo torto na cabeça e com o cabelo rebelde saindo para os lados e que heroicamente resiste à gravidade (ele não desce ô cabelo retado).
Vou eu cambaleando e eis que a minha frente uma enorme fila (adoro filas, sempre acho que tem algo de bom a ser dado), mas essa fila que não era da puta, mas devia conter algumas, levavam ao matadouro. Era uma fila no transbordo, gentes, diferentes, organizadas e todos ansiosamente aguardando uma ficha, pra se derem sorte, se tornarem gente ainda hoje. Vão então virar gente de verdade, um numerozinho na identidade ou carteira de trabalho.
Contemplei aquela DESGRAÇA que me lembrava Zé Ramalho “Ê ô ô vida de gado, povo marcado ê povo feliz” e logo pensei opa, ganhei à crônica do dia... Ledo engano!
Só não virou motivo de uma crônica completa porque tava com muito sono e me recusei a refletir sobre aquilo e segui caminhando rumo à passarela pra chegar do outro lado da rua e seguir para a Facs.
Vou andando e eis que na subida da passarela uma figura, um vulto chama-me a atenção. Ai meu irmão, conscientemente retardei o passo, e me coloquei a observá-lo.
Era um trem mau trapilho, bermuda jeans e lascada, camisa ex branca agora preta, um cabelo marrom de poeira, a barriga do Faustão e do tamanho de um daqueles 7 anões do conto de fadas (pra não ofender nenhuma celebridade com essa crônica, pois têm me rendido alguns inimigos).
A coisa descia com o seu corpo Alá corcunda Notre Dame, todo curvado sobre a barriga e a passos muito, mais muito lentos mesmo... Eu não sei se ele arrastava-se ou andava (pra ter idéia da lentidão, o Barrichello ganharia fácil e com absurda vantagem devido às condições).
Pra que eu pudesse entender o que era aquilo, recorri logo a um estigma, desses que maioria das pessoas sem preconceito recorre. Então disse a mim “lá vem o louco” e eu o sábio me pus a pensar sobre o bicho.
Naquele instante eu insensível que sou não percebi o grande momento épico dessa historia na passarela que não era da moda. Foi o encontro antropológico se encontravam ali o homo Sapiens e o homem Demens... Eu tão próximo do Demens e ele nem ai pra mim, o seu olhar era fixo rumo ao nada no horizonte, como aqueles olhares de filmes de zumbis americanos.
Aquele Homem-Demens, sem nada falar, sem gestos ou olhar significante atravessou o meu psíquico, dominou o meu ser racional e me fez um homo-reflexus diante da cena.
O louco o demens ali na passarela, passarela que faz jus a sua definição mor, que é aquela onde se passa e se contempla, e eu o contemplei, assiti o seu desfile, seu espetáculo, sem roteiro, distante da moda. Continuou a caminhar em seu espaço rumo ao sem destino, levando com ele seus odores e a sua racionalidade por mim incompreendida.
O Homem-Demens se demenschava diante os meus olhos e fixava-se com seu poder invisível em meu ser psíquico como uma coisa impactante. Era uma ausência na presença, era o ser e o não ser, era o caminhar comigo e o caminhar sem mim.
Eu então do pedestal da minha sapiência fui produzir saber, sobre aquele que só dele sabe e que nós não sabemos por que em nosso saber ele nada sabe... E foi-se ele sabe lá onde. Eu não sei onde, mas esta em algum lugar além de mim.
Provavelmente aquele zumbi, aquele fantasma ainda esta a transitar na passarela, na passarela da invisibilidade, num eternamente transitar sem ser percebido. Estas a vagar com o seu corpo e a sua alma que é uma plenitude do no não existir. E o corpo real segue fantasmaseado pelas ruas, e leva como bagagem a sua morte por nós projetada, embora andante é um sempre ausente, é ausente porque morreu socialmente, excluído, excluído por uma racionalidade também demente e que contempla os tais espectros exorcisando-os dos seus olhos.
Para alguns leitores eles só passaram a existir agora, enquanto lemos sobre eles, suas almas e seus corpos vagam... Ao perceber tal situação fiz um pedido ao universal e todo poderoso “papai do céu”, pedi que arrebatasse essas almas, que higienize as nossas cidades e que ponha os louquinhos no reino celeste pra divertir kerumbins que lá residem. Digo isso, pois foi-se o tempo em que eles eram a graça, nas cidades e no circo, agora já na tem mais graça por que são comuns e evoluíram... São mais que a graça, se tornaram uma verdadeira desgraça... Desgraça da vida e na vida, e também se tornarão vitimas de uma desgraça maior, é a desgraça da falta dos que lhe vejam.
Eles são tantos que hoje emergem pelos cantos das cidades, se tornaram a desgraça do capital nas capitais e dos cape, s tais que não funcionam... Chorar já não acalma e assistir já não resolve o problema.