terça-feira, 28 de abril de 2015

O condicionamento do debate acerca das políticas públicas e o desmantelamento do SUS



Desde o início do segundo mandato do Governo Dilma Rousseff, temos acompanhado uma sequência de pautas polêmicas entrarem em votação no congresso nacional. Recapitulando, foi matéria de votação a redução da maioridade penal, o projeto de lei que amplia de maneira irrestrita a terceirização, a renegociação do índice de correção das dívidas estaduais e municipais com a União – que na prática força Dilma reduzir as dívidas dos Estados, gerando menor arrecadação para União e, consequentemente, menor investimento do Governo Federal em serviços essenciais para população. Nesse momento, o que assombra o campo progressista e os profissionais de saúde diz respeito à proposta de emenda constitucional (PEC 451/2014) de autoria do presidente da câmara, sempre ele, Eduardo Cunha PMDB – RJ. A respectiva emenda traz para o cenário social duas questões vitais para manutenção da democracia no Brasil: a primeira concerne ao investimento e financiamento do SUS; a segunda toca o financiamento privado de campanha e o condicionamento do debate acerca das políticas públicas.
A PEC 451/2014 apresenta nas suas entrelinhas um discurso que soa ao cidadão brasileiro como canto da sereia. Dito diretamente, a emenda propõe que toda empresa seja obrigada a pagar planos de saúde privados para seus funcionários.  Seria lindo se a lógica subjacente à PEC não fosse tão perversa. Antes de explicitá-la, é interessante introduzir duas questões para reflexão: Quem perde com a PEC 451/2014? Quem ganha com a PEC 451/2014? Começamos pela segunda: ganham os planos de saúde que terão o quadro de clientes inflado. A rigor, os planos de saúde, como demonstrado e alertado por Passos[1] em artigo publicado na revista Cartamaior, foram responsáveis pela doação de 52 milhões de reais para 131 candidaturas de 23 partidos políticos e, em particular, pela doação de 250.000 mil reais – Bradesco Saúde – á candidatura de Eduardo Cunha autor da proposta de emenda constitucional. Diante desse cenário, cabe retomar a primeira questão para afirmar que quem perde com a PEC são os cidadãos brasileiros uma vez que o Estado é desobrigado a investir no SUS, impedindo atendimento de qualidade para população e fragilizando ainda mais sua política de financiamento cujas estruturas foram profundamente abaladas desde a perda dos 40 bilhões de reais ocasionados pela derrubada da CPMF – ainda no governo Lula 2008.
O que essa lógica de proposição de emenda constitucional apresentada por Cunha esconde são os fundamentos que regulam o funcionamento do congresso nacional e as variáveis que pautam e condicionam o debate acerca das políticas públicas no país. De maneira mais específica, a grande maioria dos políticos tem campanhas financiadas por empresas privadas. Ora, não há doação privada de recursos desinteressada. Após eleito, chegam a fatura e as exigências aos políticos por parte dos financiadores. Esse é apenas um dos aspectos da estrutura de corrupção no Brasil. Nessa lógica, nos interessa enfatizar o quanto que o financiamento privado pauta e orienta os debates acerca das políticas públicas no país. No caso de Eduardo Cunha o exemplo é claro, teve a campanha financiada pelo Bradesco Saúde e tem desde então encabeçado o movimento em favor do desmantelamento do SUS. Lógica nociva que prioriza o interesse privado em detrimento do púbico.
Por fim, cabe destacar que toda essa problemática salienta uma vez mais a importância de se debater e defender uma urgente reforma política. A proibição do financiamento privado de campanha e, em contrapartida, a revindicação em favor do financiamento público são bandeiras das quais os profissionais de saúde não podem se furtar. Essa clareza e disposição para travar o debate nos diferentes espaços que cada um ocupa fornece o melhor antídoto contra todo um discurso que vem se desenvolvendo no Brasil e que ameaça conquistas e direitos históricos. Se consolidar os avanços sociais dos últimos anos tem sido um desafio cotidiano do povo brasileiro, é certo também que retroceder não deve fazer parte dos planos, jamais. Em meio a esse cenário de interesses antagônicos, a democracia precisa ser defendida em vista da radicalização e manutenção dos direitos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nos bastidores do planalto Kassab: cafetão ou maestro da política?

Em Março de 2011, Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo (2006) e atual Ministro das cidades do governo Dilma sacudiu os bastidores da política ao criar o PSD (Partido Social Democrático) e minguar as bases do DEM (Democratas) – políticos dissidentes desse último encontraram no PSD seu mais novo abrigo político. Do ponto de vista ideológico, ou seja, das ideias e valores que fundamentam o partido, o PSD foi definido por Kassab “como um partido que não é nem de esquerda nem de direita”. Trata-se, portanto, de um partido coringa que joga e assume valor ao sabor das circunstâncias. Coringa ou não, o fato é que a robustez do PSD reservou ao seu líder um lugar de destaque no cenário político brasileiro, consequência direta da sua capacidade de articulação. Consequentemente, Gilberto Kassab foi convertido em forte interlocutor do planalto com o congresso e, além disso, um político habilitado a assumir o todo poderoso ministério das cidades em 2015. Considerando o que foi dito, é importante destacar que mais uma vez a capacidade de articulação política de Kassab se manifesta e assim nos faz ver um filme semelhante ao de 2011: mesmo roteiro, diretor e protagonista. Todavia, as ações de Kassab nos bastidores do planalto não se restringem a sacudir a política, mais do que isso, assombram e causam calafrios na oposição e partidos da base aliada do governo. A razão desse fenômeno é simples: Kassab agora em alto e bom tom articula e professa a ressureição de mais um partido, o finado PL.
Dadas as circunstâncias, Renato Caiado, Deputado Federal, recém-eleito Senador pelo (DEM) de Go é o porta voz de uma oposição temerosa que enxerga em Kassab “o cafetão do planalto”. Dito diretamente, a atitude do ministro que propõe refundar o PL representaria um golpe em vista do enfraquecimento da oposição ao mesmo tempo em que oxigenaria e insuflaria a base aliada do Governo Dilma. De posse do Ministério das Cidades – responsável pelo PAC 3, minha casa minha vida entre outros programas – o ministro tem em mãos a máquina e a chave para cooptar parlamentares e assim viabilizar o ressurgimento do PL. Por essa perspectiva, Kassab, denuncia Caiado, “adota uma postura de cafetão e acha que os deputados são garotas de programa”. Além de Caiado, os primeiros comentários de Eduardo Cunha, Deputado-Federal pelo (PMDB) do RJ e novo presidente da câmara dos deputados indicam a trincheira da resistência ao movimento kassabista. Para Cunha, deve-se buscar a judicialização da refundação do PL. A ideia é clara: barrar a refundação do partido na justiça e evitar o enfraquecimento do PMDB e do DEM.
Nesse contexto, se delineia o horizonte e notas características da maestria de Kassab. A intenção do ministro é refundar o PL e promover a fusão entre esse e o PSD – embora negue em público. Essa equação converteria o PSD na 2º maior bancada do congresso (67 Deputados) ultrapassando o todo poderoso PMDB – sem o qual ninguém governa ou governava o Brasil. O saldo dessa  jogada de mestre seria suficiente para retirar o Governo Dilma das cordas da chantagem política promovida pelos partidos da base e colocar o PMDB em cheque, mate? A ver. Com efeito, Kassab é um personagem que representa um ponto fora da curva no cenário político atual. Não se restringe as relações parasitárias da política; pensa a política, analisa o cenário e move com maestria as peças do tabuleiro. Faz política cotidianamente com base em considerações pragmáticas, ou seja, com base no que funciona e lhe é vantajoso. Executa em última instância uma Realpolitik cuja prática se sobrepõe a ideologia e faz viver Maquiavel.
Posto isso, certamente que devemos respeitar as críticas a Kassab, mas é fato que não podemos reduzi-lo a um cafetão cuja especialidade é aquela de criar partidos políticos e agenciar deputados. Sem dúvida que suas ações nos bastidores do planalto lhe convertem em Maestro da política nacional. Sua capacidade de articulação faz com que uma pequena jogada seja capaz de mudar e muito todo o cenário político. Todo esse poder tira o sono da oposição e partidos de centro que temem ver reduzido seu poder de barganha dado o protagonismo de Kassab enquanto aliado do Governo Dilma e um dos maiores articuladores da política brasileira na atualidade, não é pouco. Implícito nesse debate encontram-se questões relevantes para refletir nosso sistema político. Em especial, a atitude de Kassab revela: a) o fisiologismo partidário que caracteriza uma pratica voltada em todo caso para o interesse privado; b) o modus operandi da velha política que pulveriza e multiplica partidos políticos de acordo as circunstâncias; c) o partido e seus políticos enquanto elementos de barganha de cargos em troca de apoio. Se quisermos reivindicar de fato a reforma política, é importante perceber o que de nocivo a maestria de Kassab revela...Má/estria.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Fisiologia do afeto



Não sentiu
não doeu,
Pra sentir
tem que doer,
Se sentir
 tem que roer,
Assim,
por dentro.


Ruído,
na alma
Sem remédio,
sem calma
Se sentiu,
Doeu, roeu.
Assim,
por dentro.

Por dentro,
assim
tu,
de mim,
roeu,
doeu,
Assim,
Por dentro.

domingo, 27 de outubro de 2013

tapa buraco e assim o são

Brincar de dedilhar os dedos, dois à esquerda, três à direita... E assim tem sido a história das mãos que dedilham a si. Como se o objeto pudesse observar- se fazendo da história das mãos um reflexo da ciência. Qual? Uma dessas. Tudo bem, as mãos podem servir para pensar modelos teóricos, mas qual a relevância disso? Nenhuma. Alguma. A última convence. Convence mesmo, porque todo mundo sabe que os dedos que dedilham a opinião pública converterá a mesma em opinião publicada... e assim, ô do jornal, lá vamos nós em meio aos nós. Mas agora já sabemos o segredo, avancemos dois parágrafos. Primeira linha do terceiro após ter lido o segundo, um labirinto. Criatividade, bricolando do verbo bricolar – vamos, vá ao dicionário.

Por outro lado, outro conto e outra história... a do papel. O papel passivo, folha em branca a espera de um printing. Há os jornais e tais e tal e coisa e tanta coisa. Há papel, prova, alias, não prova, e se prova reprova a falta de criatividade – essa menos – é mais de autonomia mesmo. Afinal, diz-me papel se no rastro de tinta há qualquer originalidade. Na ausência dessa, todo papel é igual, mais parecem papel higiênico. São higiênicos ninguém duvida e todos são no fundo  da bunda  uma merda. Os jornais, os seus papeis e tais, isso que nos dizem, na redação e da redação. Certo, e vai me dizer que o jornalista dorme... É possível sono em meio a um escândalo desses? Ô do jornal, me dizes tu se minha notícia não é um barulho que tu reconhece no silêncio, puta que me pariu, durma com tal barulho. E o parágrafo rompeu a estética, porque ler dá trabalho. Então voltemos aos dedos. Retroceda um parágrafo – 5 linha.

No inicio era o verbo e o verbo se fez carne, tout va bien e qual a relevância disso? Nenhuma. Alguma. Fioquemos com a última e o respectivo neologismo que professa fiquemos com foquemos na mais pura revindicação da atenção plena – mindifulness. E se o parnasiano não quisesse saber-se sabido pelo outro? Mais isso ninguém discute. Deveriam, é legítimo. Pretensões parnasianas têm aqui nessas linhas, fugimos da ortografia e do portuga claro. Não podemos concordar, em um período no qual todos falam e ninguém se entende o parnasiano é o bicho mais normal. Agora me pegue essas primeiras cinco linhas, engrosse a voz e narre como o coro do teatro grego ou um contemporâneo de programas jornalísticos policialescos. Faz o exercício. Nossa  o texto ganha em estética, parece belo no fundo o é – sincero. Mas, me pergunte qual a maior felicidade do mundo? Avancemos um parágrafo.

É aquela que se sente, sensciente. E dos versos das músicas, uma frase: “Ô deus, se não rezei direito o senhor me perdoe, tu sabe que negra é a beleza de todas as cores, porque se cala o cantor, cala-se a vidaaaaaaa e donde termina el asfalto, eu me remexo muito”. Como se o pensamento se auto-organizasse, assim, simples, entende? Qual a razão de ainda sermos quem somos? E por acaso o filósofo quando nos enganou não havia afirmado que nós, ao escolhermos escolhemos o homem, ou seja, o melhor, a humanidade. É apostar na sinceridade e falta de discernimento ou tu achas que quem escolhe e dessa envergonha-se não tem clareza do quão venenosa a mesma é. E por que as blusas são vermelhas e verdes. Porque como as são não sabemos. Feche os olhos toque a blusa. Cadê o vermelho e verde? Mas vão me retrucar, folie, crazy, louco e ai eu te pergunto. Se todo mundo hoje é parnasiano, quando foi na tua vida que tu entendeu alguma coisa? Acha que entendeu, honestidade, vamos lá, três perguntas e tuas crenças desmoronam, se terás coragem de fazer é outra história... Afinal, de que adianta desconstruir para construir novamente... aí meus amigos, se a moda pega, estaremos todos no paraíso. E qual o problema se você não entendeu como eu queria? Sentidos temos e damos, legitimo é o seu. Mas com limites meu chapa, há ordem, lei e democracia. Agora entendemos a natureza dos conflitos. Em nome do pai, amém, e o mundo se fez, com tantos erros meu Deus que só o Diabo para consertá-los, viva os encarnados... Em um país que se orgulha mestiço, onde negro, indio e branco representa ponto fora da curva. Se o mestiço não representa todos, bem vale buscar uma etinia. Eu quero ser negro mas acima de tudo, ser gente, diferente.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Médicos no SUS, cadê e por quê?

Os médicos saíram às ruas, agora sim é possível entender o que significa um ATO MÉDICO. Sair às ruas, esse é o único ato médico tolerável nesse caldeirão político que vem se transformando o país. Não encontrarmos médicos suficientes atuando no SUS ou no interior do estado, mas sabemos onde estão: nas ruas. E lá estão por razões obvias: amor à causa. Que causa? Armaria, faz vergonha mencionar. Para tentar entender o porquê de essa categoria estar nas ruas, vamos aos f/atos médicos.
Antes de ter início às mobilizações em massa no Brasil, o governo federal acenou com a possibilidade de contratar médicos estrangeiros para atuar em regiões com certa defasagem ou completa ausência dos respectivos profissionais no país. A vinda de médicos estrangeiros cubanos, espanhóis, portugueses ao Brasil injetaria um pouco mais de saúde na saúde, sim, é necessário. Um dia após o anúncio ecoaram vozes dissonantes da proposta saudável do governo nos quatro cantos do país. Quer dizer, ecoaram vozes nos grandes centros urbanos que concentram a quase totalidade dos profissionais de medicina do país. As vozes não ecoaram do interior ou da periferia das grandes cidades porque lá não existem médicos que gritem, mas fazem gritar a população, adivinhem por quê? Vou dar uma pista, tem haver com a qualidade da formação (não é uma regra). Na distribuição geográfica desses profissionais no território nacional, temos um exemplo obvio do que significa a expressão: erro médico. Os médicos estão concentrados nos grandes centros e os salários que variam entre 8.000 e 13.000 mil reais mensais oferecidos em diferentes cidades no interior nos diferentes estados do Brasil não são suficientes para atrair e fixar os pobres médicos nesses municípios – falta de infraestrutura dizem. Infraestrutura para inflar a estrutura econômica privada. O motivo para recusa tem haver com a causa pró vida... do bolso e não com o custo de vida nessas cidades ou falta de estrutura. O dilema “custam vidas” e vindas. 
A vinda dos médicos estrangeiros para o país anunciada pelo governo representa para o Conselho Federal de Medicina (CFM) um verdadeiro atentando a saúde de qualidade oferecida no Brasil. Obviamente que a resistência do CFM não tem qualquer relação com questões ou fatias de mercado. Tem haver sim com a qualidade do serviço prestado a população ameaçada por profissionais “mal formados” made in Portugal, Espanha e Cuba. Para o CFM, a formação nacional é de excelência tanto em qualidade quanto em quantidade de profissionais. O resumo da ópera é: Dilma, o país não necessita importar outros profissionais de formação duvidosa. Para o CFM, esta medida fere a autonomia nacional, desrespeita a legislação que regula o ingresso de médicos no país, coloca em risco a qualidade da assistência oferecida à população e não resolve de forma definitiva o atendimento em saúde das áreas de difícil provimento no interior dos estados e nas periferias dos grandes centros. Se por acaso contratar, tem que passar pelo crivo do REVALIDA, esse é um critério que o CFM não abre mão. 
Convenhamos que o REVALIDA e seu nível de dificuldade profundamente planejada, se aplicado aos estudantes de medicina do Brasil somente atestaria a qualidade duvidosa de grande parte das instituições formadoras do país. O problema da qualidade se aplica aos diferentes cursos de graduação, mas os senhores da saúde lidam com a vida e seus limites como poucas áreas das ciências. Portanto, a preocupação com quem chega para abocanhar fatias no bolo da saúde é legitima. O raciocínio poderia ser aplicado a um engenheiro que por ocasião poderia errar um cálculo estrutural... Prédios, erro de cálculo estrutural e vidas, mas essa não é nossa equação. O fato é que o conselho federal insiste no revalida e na tese de que existem profissionais, o que falta mesmo é condições de trabalho nos locais carentes desses profissionais. Subjaz a esse discurso uma tese pró-privatização da saúde: o problema é do estado, gestor ineficiente. Esse tom é parte do discurso neoliberal que vigora na saúde, daí para pior.
Em contrapartida ao argumento Revalida + Condições de Trabalho e a ameaça de greve geral dos médicos, o governo recuou. A saúde do Brasil ficou refém da medicina. Recuou mas nem tanto e deflagrou um tiro saudável na categoria no melhor estilo ou vai ou racha. O ministério da saúde anunciou a abertura de cerca de 10 mil vagas para médicos em regiões carentes, que vão receber bolsa federal de R$ 10 mil. O governo ainda vai determinar a quantidade exata de vagas. A previsão do Ministério da Saúde é que até 18 de setembro todos os profissionais escolhidos dentro do “Mais Médicos” estejam atuando no país. De acordo com o governo, a prioridade será preencher as vagas do programa com profissionais brasileiros. Os postos de trabalho remanescentes serão completados com estrangeiros. Por outro lado, apertou o cerco a favor de uma matriz curricular tendo em vista qualificação e responsabilidade social – muito bem remunerada. O governo propôs criar um 2º ciclo de graduação. Na prática significa que os cursos de medicina passaram de 6 para 8 anos. 6 anos de graduação mais 2 anos de trabalho na saúde popular no SUS – com valor da remuneração entre 3.000 e 8.000 mil reais, um achado doutores.
Em oposição à proposta do governo o conselho federal de medicina já esperneou: trata-se de um serviço civil obrigatório. Para o governo trata-se simplesmente de uma segunda fase de estudos remuneradas. A coisa é tão bacana que poderia entrar como pauta de revindicação das demais categorias de saúde: bolsa segundo ciclo pró SUS. O fato é que os médicos parecem estar sem saída e o pior, sem apoio da sociedade civil e muito menos das diferentes categorias e sindicatos dos profissionais de saúde. No segundo caso, efeitos do ato médico, consequência dessa tentativa absurda de transformarem-se (os médicos) nos donos do saber/poder e supremos gestores da saúde! Agora que os donos da saúde dispersam sua força política em diferentes frentes, o ato médico se tornou algo secundário e deverá ser vetado pela presidenta Dilma – sob absoluta pressão – ou veta ou vai comprar briga com as demais categorias dos profissionais de saúde. Se pensarmos nas circunstâncias políticas atuais, não é a melhor opção política, tudo isso em nome do pragmatismo político que tem dado a tônica nas medidas do governo. Presidenta, bom senso e prudência, veta Dilma!
Na atual conjuntura política e no puxa estica da correlação de forças, o país e a democracia saem com saldo positivo. As proposições do governo seguem encurralando o conselho federal de medicina e a bancada dos médicos no congresso. Obviamente chegamos em um momento que foi dado um basta ao leilão da saúde posto em marcha pelas entidades que representam os médicos no país. A saúde no e do Brasil, não poderá continuar refém dos médicos. Saúde sequestrada pelos representantes da medicina no congresso e no conselho federal de medicina que fazem da vida objeto de jogatina em um cassino econômico absolutamente perverso. A resistência aos médicos estrangeiros, os interesses privados bem como o interesse em servir a indústria farmacêutica e aos grandes grupos médicos não podem e não devem estar acima da soberania da saúde nacional. Saúde que onera mediante impostos absurdos o trabalhador brasileiro. Trabalhador que em última instância financia a universidade pública e recebe de troco um serviço público de saúde longe do ideal, mas que vem sendo cotidianamente construído e fortalecido por profissionais que entendem o significado do cuidar do outro e da res pública. O discurso do conselho federal de medicina não pode continuar representando um ponto fora da curva enquanto a questão da “cura” da saúde no e do Brasil passar pelos caminhos da construção de um sistema único de saúde pública e de qualidade. Os profissionais estrangeiros e o 2º ciclo de estudos representam duas doses amargas de um remédio que tende a fazer bem a saúde no Brasil, mas que os donos da medicina no país recusam-se a engolir... Esperneiem mas engulam, é para o bem.

Ps: No atual cenário político nacional temos algo muito interessante acontecendo. A esquerda mediante movimentos sociais e sindicatos organizam uma paralisação nacional no próximo dia 11. Não podemos confundir isso com os protestos da copa das confederações. O que antes era difuso e plural – legítimo – acena com a possibilidade real da unidade na pauta e na luta. A esquerda tomou o pincel das mãos da mídia e rabisca algo para fazer avançar a democracia no país. Vem chumbo grosso por aí. O lulismo e seu ciclo de desenvolvimento confronta-se com limites evidentes. Agora é hora de dizer nas ruas por onde vamos. Estarei lá. Estejamos.

Kayk Oliveira

sábado, 22 de junho de 2013

#Partiu, da manifestação e Dilma na Televisão

Manifestação, maninfestação de gente, manifesta, minifesta! Aqui uma hipótese de investigação que recusa a pressa e evita qualquer explicação precipitada do que vem ocorrendo no país. Hipótese, mera hipótese. Com essas breves linhas desejo - com a permissão de Sampaio - botar o meu bloco na rua. Os brasileiros foram as ruas, uma parte deles, como nunca antes na história desse país, ótimo. Que parte e qual a mensagem? Tic-Tac, Tico-Teco: leiam-se as cartolinas, melhor caminho para entender o que prega o movimento. Viva o engajamento  de cartolina. O movimento não é Bragaboys mas também é BOMBA e cartolinas brancas, rosas e etc.
Com ou sem bomba, o movimento revela um  Brasil plural,  um milhão de pessoas, um milhão de pautas, claras, muitas distintas, completamente. A diversidade das pautas impede qualquer unidade e consequentemente clareza do que querem os manifestantes - com exceção do passe livre de SP. O comentário não é exagerado visto que no coração da manifestação temos neonazistas, católicos, evangélicos, gays, negros, pobres e burgueses... os mais diversos grupos e seus respectivos valores e bandeiras muitas vezes antagônicos. Sendo assim, é natural que em meio aos gritos e marchas pelas garantias dos direitos, alguns desses terminem conflitando. A unidade revela certa multiplicidade da democracia e suas desejáveis contradições. Democracia é luta, é conflito, é atrito, é antagonismo de ideias,faz parte do jogo, é legitimo, é um direito e um dever. Poupemos os músculos, acreditem, não são necessários. 
Necessário mesmo é manifestar-se, levar sua cartolina e postar no Facebook. Manifestação 2013, eu fui. Na de 2014 uou uou uou, eu vou!. Quantos curtiram isso? Quantos comentários? A cartolina no face torna-se uma cartolinda, Xd. Qual a mensagem? O que fica além desse Sentimento Estético de Revolucionário? Fui, fotografei, postei, participei, fiz parte da história dei minha contribuição, mandei meu RECADO NO REAL. Getúlio Vargas deve estar orgulhoso "Saímos do face para entrar para história". Os revolucionários mais otimistas dirão " é algo incipiente, é o começo de um novo tempo". Eu, enquanto reacionário confesso, acredito que precisamos de algo mais. Precisamos dos partidos. Nesse sentido, o pronunciamento da Presidenta Dilma (presidenta para democratizar o Português)  tem algo a nos ensinar sobre democracia.
O pronunciamento foi sensato e o recado direto: Não há democracia sem partidos. Antes de qualificar o pronunciamento da presidenta com adjetivos morais típicos da direita raivosa ou enquanto algo superficial vide a ignorância de um ou outro telespectador apressado, devemos nos perguntar: hsfdjfvmcdtçl gdyeçlsvdy bjdyrkdzgflzgfdl jhdsfykhfgf. Não quero sugerir questões. Informatizados e secularizados, logados e sintonizados, não é necessário que os outros pensem por tu. Ninguém nessa Folha, ninguém nesse O Globo terrestre, ninguém nesse Estadão de meu deus, ninguém nesse Jornal Nacional pode pensar por você - F5 no iluminismo, sapere aude. A opinião pública é diferente da opinião publicada, vale o alerta. 
Não há democracia sem partidos, sem leis e sem ordem. Não há democracia sem regras assim como não há democracia sem espaço para o debate e discussão. O movimento que grita por fora dos canais dos partidos, de uma pauta específica, dos movimentos sociais organizados, fora do legislativo, sem representantes, corre o risco de desmanchar-se no tempo na media em que o som do seu grito se propaga e arrefece, como ocorreu nesse Felici/ano. Depois de gritos e mobilizações em todo país, Feliciano - o fundamentalista - continua presidente da comissão dos direitos humanos. Após a tempestade vem a calmaria e nada mudou. Com essa breve consideração, defendo que o pronunciamento da presidenta, foi didático, uma aula de democracia. 
A clareza com que expôs as ideias e os caminhos para conduzir o debate, nos impede - a não ser por ignorância - de julgar seu pronunciamento enquanto superficial. A mensagem veiculada propôs trazer toda insatisfação popular manifestada nas ruas para dentro das regras da democracia com um repudio claro as manifestações de violência. As vozes precisam ser canalizadas. Existem canais além das ruas onde devem ser expressas, ecoadas, defendidas. Não há democracia sem partidos. Elejam seus representantes e líderes  e venham para o debate, a mensagem da presidenta foi radical, democrática na raíz.
Aos manifestantes com a cara da "nova classe média" fica o recado: não se deve repetir os erros da classe média anterior. Não dá para comprar o carro, o tablet, o apartamento sem refletir sobre que país querem. Não é possível revindicar desvinculado dos movimentos sociais e dos partidos políticos. Sair do face e ir para rua não basta. Transporte público de qualidade, educação de qualidade, saúde de qualidade. Essas são bandeiras que podem e devem ser defendidas. O que fariam com o dinheiro se não tivessem que pagar planos de saúde? O que fariam com o dinheiro se não tivessem que pagar altas mensalidades na universidade privada? Somam-se a isso, o que a outra metade da população, aquela que não foi a rua, pode fazer se gritar sobre a fome, a falta de saneamento, de segurança, de educação e habitação? As preocupações são legitimas, podem e devem ser mais gulosas a fim de consolidar novas conquistas e avanços com a cara desse novo Brasil, que não se enganem, vem de baixo. O Brasil com classe, médiaé verdade. O mais é possível, Dilma deu o recado.
Enfim, partiu do movimento e do pronunciamento essas considerações. Algo imaturo, incipiente, reacionário anti-revolucionário. Uma consideração careta de quem de casa acompanha a revolução nesse novo e velho Brasil. Essa manifestação sem fotos ou cartolinas, porque hoje com toda sinceridade eu quero é ver gol. Brasil sil sil.

Kayk Oliveira Careta.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Miss Bumbum 2012

Quem disse que bunda não é coisa de filósofo ou de filosofia? É sim, tenho dito, afinal, uma boa filosofia se faz com bunda, sentando a bunda, seja nos bares ou nos mais variados ateliês filosóficos. Muitas das grandes ideias devemos a alguns filósofos bundões cujas cabeças e cérebros igualmente grandes e importantes assemelham-se às nadegas das mulheres de época, melancia, melão, morango, enfim, qualquer das frutas que por serem de estação: passam. O texto que segue, tem por objetivo pensar e louvar as bundas e a sua relação com a filosofia, a partir da Miss Bumbum 2012.
No Brasil, a virada bundistica nos oferece todo conteúdo para circunscrever o debate. Vejamos as manchetes: não são uma, nem duas, nem sete. A nossa opinião pública esta marcada de bundas, pouco atraente é verdade. As manchetes fornecem a matéria prima dos nossos pensamentos. Graças à mídia, o nosso cotidiano constitui-se de uma bundeza só, ou bundarias para respeitar o pluralismo democrático da Chantal Mouffe.
Adentrando as bundas, caso não tenha ejaculação precoce, vais compreender o que digo; sejamos céticos, suspendamos o juízo e investiguemos um pouco mais do que se trata, a ver. Ao tratar de um conteúdo, ao qual yo soy muy versado, não poderia faltar uma reflechão, tão pertinente, para nivelar claro, por baixo nosso debate. Por baixo, por cima, ou de quatro, decidam. Como diria Marx, a filosofia tratou até o momento de interpretar o mundo, trata-se agora de transformá-lo, sábio Marx, profeta das nadegas. Nesse sentido, a reflechão, para fazer jus as bundas, traz ao chão à filosofia. Assim como a gravidade atrai os corpos, bunda e o papel da filosofia são indissociáveis. A filosofia mon amies, vem para a terra – e haveria lugar melhor? Descemos juntos até o chão, bunda e filosofia, reflechão, reforcemos o conceito, a reflexão da primeira com a descida até o chão da segunda. A filosofia, rala a tcheca no chão, chão, chão.
Em um país tão aBUNDAnte, não raro, é realizado o denominado: Miss Bunbum. São pessoas, que se esmeram por mostrar o que consideram possuir de melhor. Para confundir entre o que elas têm de melhor e o que de melhor o Brasil tem é, como se diz no interior, um pulo. Brasil e bunda fundem-se, ou melhor, FODEM-se em um só coração, com o apoio da Veja, Folha de SP, O Globo e mais uns três correspondentes internacionais. Notem a bunda, o nosso país e a nossa cara de bunda viram manchete internacional, e nesse fato, vai uma dose de orgulho, afinal, trata-se da bundialização do Brasil, trata-se da nossa bundentidade. Voltemos ao esmerar-se.
Em uma nação onde a grande maioria da população toma na bunda em meio a luta pela sobrevivência, ver o esmero, o esforço, os desdobramentos das candidatas a Miss, em vista do reconhecimento (qual ?) converte-se no pathos, o verdadeiro espanto, objeto de reflechão. Em um país onde a solução biográfica para problemas sistêmicos são uma regra, utilizar-se da bunda não torna a candidata uma criminosa ou gente pior. Em tempos de humanização, a Miss Bumbum é senão uma vítima. Para agradar os sistêmicos: elas constroem a sociedade que lhes constrói.
Durante o desfile, as mulheres se abrem, se contorcem se puxam e se esticam sobre a passarela, lançam-se ao chão e realizam as mais inimagináveis posições para convencer os jurados daquilo que Aristóteles denominou de ato e potencia. A bunda em ato, o que ela é, e a potencia, o que ela poderá vir a ser – ou produzir do ponto de vista comercial, determina a possível vencedora. Os desdobramentos humanos, demasiadamente humanos revelam consigo, por um lado, o vale tudo pelo reconhecimento da bunda; por outro, o quão desatualizado e limitado esta o Kama Sutra e suas posições ultrapassadas.
Ao fim do evento, eleita a bunda mais linda de 2012, a vencedora, aos prantos, desfilou na passarela empunhado as bandeiras do seu estado, Pará, e do seu país, o querido Brasil. Em outros tempos, talvez Policarpo Quaresma – personagem de Lima Barreto –, estivesse aos berros com seu ufanismo, defendendo as bundas brasileiras. Mas, passaram-se “os tempos” e os ufanismos são outros, não menos importante é verdade. Trata-se agora, de defender o Brasil, de defender o corpo brasileiro do mau uso que se faz da sua imagem – imagem que se constrói, exporta e vende. Em tempos de Copa das confederações, copa do Mundo, Olimpíadas, expansão da rede hoteleira e dos aeroportos, não vai faltar quem queira conhecer o País e Gozar nos “seus atributos”. Enquanto a imprensa produz “matérias de bunda”, é o Brasil que toma no CÚ. Até quando? Isso é Filosofia! Saca meu rei?

sábado, 22 de setembro de 2012

Ô Milton músico filósofo...

O Milton disse: " todo artista deve ir onde o povo esta".
E mainha disse "uma pena que os filósofos não são músicos".

Músicos: musilosofam
Filósofos contemporâneos: leem outros filósofos.

Filosofar no barulho pode tornar tua tese barulhenta.
Filosofar no silencio pode tornar tua tese EXcelente.

O filósofo precisa de silencio,
e o silencio precisa da filosofia.

A filosofia que diz alguma coisa, pode não dizer nada.
A filosofia que diz muita coisa, é provável que diga alguma.

Advertência aos Machistas: Caso a tua esposa pense, veja bem, re-pense.

Advertência as Feministas: Caso o teu homem pense, encontraste a joia rara.

Advertência aos Estudantes: Na fila do desemprego, um diploma é duas poltronas.

Advertência aos Políticos: se falas mal de Lula, perdes voto; se falas bem de Lula, cuidado.

Advertência a Igreja Católica: Meu senhor, o teu Papo já não Papa.

Advertência aos Evangélicos: Amém, não poha, sexo não, desgrudem. Assim seja eu quis dizer.

Advertência a mídia: Vejas quês Folhas mais sujas mais cheias de graxa, são elas meninas a nossa pró-pria desgraça no doce balanço a caminho do esgoto!

Frase da semana: A Baiana de acarajé indignada com os buracos na Barra Avenida, disse: " João HenRICO meu Rei, pimenta no rabo ou VÁTAPA? As obras já estão quase concluídas.

Do diabo para ACM neto: Meu herdeiro, sou eu, teu vôvo.

Da Policia Militar da Bahia, em nota offcial: " o auto de resistência será distribuído a todos os policiais do Estado em carne de cheques em branco".





sexta-feira, 20 de julho de 2012

ESTADO

Ei, psiu, vejam o Estado do Estado na Europa!
Ei, psiu, vejam o Estado detestado do Estado no Brasil!
Ei, psiu, vejam o Estado, amado,
Ei, psiu, vejam o Estado Armado
Entre o Eurocentrado e o iDollartrado, o nosso Estado é Real,
Trata-se de defende-lo,
em um solo onde ainda respira...

sábado, 9 de junho de 2012

PT: UM GRANDE PARTIDO

   Não é necessário muito esforço para situar o momento histórico em que o Partido dos Trabalhadores emergiu na sociedade brasileira. Uma economia em transito, do agrário ao industrial, uma classe operaria e a organização sindical, um partido político e um líder nas entrelinhas da história. Se lhe faltava um dedo, lhe sobravam palavras. E assim foi... E assim tem sido. E assim não deve ser.
    Foi o país se democratizando se organizando se informatizando, se industrializando e se privatizando... Aos trancos e barrancos, nas lutas e labutas. Brasil, enfim um país de Todos. Lula foi, tem sido e parecer querer ser, um grande líder. Em um país tão jovem de democracia tão engatinhante, o trabalhador se converteu no gigante. Foi o homem, ficou a lenda. Lenda viva. Eis o problema, saiu da política para nela permanecer, nas entrelinhas, nas articulações, no jogo de xadrez a moda Pau Brasil.
    Se não bastasse o prestígio, o senhor ex. presidente é também um homem de vontades e vaidades. Não cabe uma crítica moral quanto o assunto é política. Alias, até cabe, há tempos que o público e o privado se fizeram um só. O homem de vontades, desejos e vaidades quer o melhor para o seu partido. Quer tão bem, vê tão alem dos demais, que tem passado por cima da militância. Tudo que o PT precisava era de alguém que enxergasse alem do que os olhos podem ver.
    O nosso Lula fruto da democracia tem adotado atitudes cada dia mais democráticas. Começou de maneira sutil por São Paulo, impôs Haddad preteriu Marta. No Recife, após João da Costa atual prefeito, vencer as previas, Lula, o democrata, desejou o Humberto Costa. Ordem dada é ordem cumprida, não há democracia que resista aos desejos de um grande líder. Impôs o nome, garantiu apoio do PSB em são Paulo e afastou João da Costa desafeto de Eduardo Campos (PSB) Governador de PE. De brinde, o PSB levou uma cadeira no senado e emplacou a Erundina ex. PT agora PSB como vice do Haddad (PT) em São Paulo.
    Cenas da política brasileira, do Cara e do seu Partido. A atitude lulesca tem dividido a militância do sudeste ao nordeste. E me parece que as pessoas sensatas não esquecem. O tiro no jogo democrático, democracia essa refém da vontade alheia, lançou um alerta vermelho em relação à política brasileira e seu mais cortejado representante. Não parece exagerado qualquer comparação com Putin, alerta ligado é aviso dado. E se Lula resolve ser candidato, e aí Dilma?
    De fato, hoje, esses são os ventos e o estado da obra. Aguardemos os próximos capítulos mandos e desmandos. O ex. presidente, ora parece dono, ora parece gerente do seu PT. As atitudes a mão de ferro, tendem a fazer o partido se envergar cada vez mais às vontades iluminadas de Lula. Cabe a militância o grito de basta, a democracia, a diversidade e pluralidade devem estar acima de qualquer vaidade. Lula e a militância fizeram do PT um grande partido, e hoje sem vacilar ou hesitar, Lula continua a fazer do PT cada vez mais um grande PAR-TIDO, alerta ligado, é aviso dado.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Aquarela do Brasil: Limites e Possibilidades

Poderia ter sido uma sentença de morte. O coito numa noite de eclipse era no mínimo arriscado. Que pensavam seus pais? Que amor desmedido é esse que não poderia esperar minutos para ser exercido? As previsões científicas se confirmaram. Ter ocorrido à concepção em pleno eclipse lhe imputaram marcas. Não era o menino Jesus mais ao nascer toda comunidade comentava o fato. Em termos quantitativos, alguns afirmam que seu nascimento atingiu ouvidos de maior número de pessoas. Especulava-se que pelas suas características tratava-se de um ser dotado de poderes especiais, previsões não confirmadas. Era humano, barroco entre o sagrado e o profano. Outros especulavam acerca das suas características físicas associando-o a mitos que povoam o imaginário da comunidade, Lobisomem? Curupira? Cada comunidade elege seus perigos potenciais. As teorias de Lombroso teriam lhe garantido uma sentença.
O certo é que suas características provocavam a curiosidade, todos queriam vê-lo, presenteá-lo. Mas que tipo de presente oferecer? O que exatamente poderia combinar com um ser de características tão singulares? Eram essas algumas das questões que provocavam grandes ansiedades nas pessoas próximas.
Apesar das tormentas, foi sem dúvida uma criança de sorte, nascerá num tempo onde suas características físicas lhe permitiam transitar em potencial nos diferentes espaços da sociedade. Tudo que o envolvia era tão confuso que só foi possível dar-lhe um nome aos 7 anos de idade, chamaram-no de BlackWhite depois de haver experimentado inúmeros apelidos. Até a adolescência levou uma vida dignamente normal, foi acolhido nos laços sociais comunitários e pôde conviver com pessoas da sua idade. Suas características lhe renderam alguns romances motivados pelo desejo feminino de experimentar o singular, o único. Exercia com muita competência o papel de bandeirante do prazer. A família e a escola foram dois importantes núcleos de socialização e instrumentalização para vida que seguia. Foi chegada à hora de bater asas, alçar novos vôos.
No panorama geral, as transformações sociais e os avanços políticos recentes em seu país produziram condições históricas que lançaram BlackWhite numa crise de identidade nunca antes experimentada. Hora de fazer novas escolhas, consolidar hábitos. Mas que hábitos, que escolhas? Mas quem era esse homem, o que de fato lhe tornava tão especial?
BlackWhite é fruto de um coito realizado sob tabus científicos construídos sob forte influência da elite brasileira. Seus pais se amaram em pleno eclipse desafiando todas as leis da física conceptiva. O resultado foi uma criança que nasceu sob influência celeste marcante, trouxe na pele a marca dos astros. Nasceu com uma pele dividida em duas cores. Era metade branca metade preta. As pessoas que o viam de perfil não poderiam imaginar que do outro lado existia uma cor “diferente”. BlackWhite durante muito tempo brincou com a situação e ao deparar-se com crianças movia o pescoço em 180º, fazia esse movimento lentamente e muitas vezes conseguiu sorrisos tantas outras lagrimas, em síntese, divertia-se.
BW para os íntimos experimentava uma condição existencial quase esquizofrênica. Parecia viver em realidades paralelas. Numa sociedade CorMente determinada, possuir diferentes tonalidades na pele em diferentes oportunidades foi motivo de sofrimento intenso. A cor da pele poderia ser utilizada como condição para ter acesso a diferentes lugares ou não. Se apresentar as pessoas com o lado branco do rosto lhe garantia alguns privilégios e boa educação por parte dos outros. Se apresentar com o lado negro do rosto lhe garantia a possibilidade de acesso por cotas na Universidade alem do status de um bom capoeirista. Quando sofria preconceitos, rapidamente girava 180º e combatia as ofensas com uma tonalidade de voz e pensamentos em defesa do lado ofendido. Certa feita ao visitar determinado restaurante onde os brancos freqüentavam já não sabia como se comportar. Nada dizia que negros não poderiam entrar. Mas era obvio, ou melhor, era nítido que existia um preconceito simbólico. BW sentia-se ameaçado, confuso. Ao deparar-se com o segurança do restaurante, se pôs a girar em 360º graus, se mostrava branco negro, negro e branco, branco e negro, negro e branco instalando uma confusão, já que alguns clientes aguardados entrariam na condição de convidado, o que levou o segurança a perder-se entre as fisionomias registradas em sua lista.
O convívio na sociedade que não os laços familiares reservaram a BW doses cada vez maiores de sofrimento. Era cada vez mais difícil desvencilhar-se de preconceitos. Tudo isso exigia uma energia desmedida, ser branco não era tão ruim, mais ser negro exigia de BW doses muito elevadas de energia para existir. A conclusão a que chegou foi: se eu sou negro 50% e sofro tanto, o que é ser 100% negro no Brasil considerando toda história? A partir dessa reflexão, fez sua escolha, BW resolveu dedicar-se a militância.
Sonhava com uma sociedade sem preconceitos, acreditava nisso, idolatrava Luther King, Mandela, Stive Biko, Zumbi entre tantos outros. Era devoto dos Malês, só não apoiava o extermínio dos brancos, no entanto, entendia que defender tal ideia era legitima quando não se tinha liberdade no passado. Sempre que tinha oportunidade lamentava os massacres em Ruanda. Tinha um discurso local, queria praticas locais e resultados globais. Certo dia, em uma das poucas entrevistas que concedeu, pôde dizer em poucas palavras tudo àquilo que sentia e pensava. Seguem-se trechos da entrevista:
“Vivo e sinto. Minhas características físicas associadas ao momento histórico em que vivo me permitem um discurso honesto. Vim para iluminar potencializar apagando e acendendo as luzes acesas no século 18. É hora de apresentar a fatura de um discurso falso de democracia e exigir a liberdade e igualdade que ao serem pregadas pregaram meu povo em algum lugar para de lá não saírem. É hora de aprofundar as conquistas, consolidar os avanços e derrubar toda e qualquer barreira que impeçam as pessoas de terem melhores condições e igualdade de oportunidades. A educação é uma saída, no entanto, a qualidade da educação deve ser priorizada. Os aspectos técnicos devem dialogar com os aspectos humanísticos independente do contexto”. Disse ainda: “os avanços políticos do país não foram dádivas divinas, os mesmos devem ser afirmados enquanto política de Estado, eles são resultado de embate político e argumentação consistente na defesa de direitos garantidos pela constituição brasileira. A tomada de consciência dos avanços e dos mecanismos pelos quais foram conquistados é obrigação de toda minoria ou maioria excluída. A prática política é onde se abre caminhos de possibilidades para redução das desigualdades. As conquistas não caem do céu ou são fruto da boa vontade”.
Hoje as noticias que chegam acerca de BW são as de que ele segue afirmando suas crenças e valores. Tem vivido a Universidade e observado por dentro os efeitos das políticas de ações afirmativas e permanência onde atualmente já não é difícil avaliar os alcances e limites dessas conquistas. Os entraves são muitos, os méritos maiores e os limites encontrados serão superados, o velho BW continua confiante, pois bem sabe que escolhas realizadas são sentenças instauradas.
Desejamos que a história de BW não seja pontual, sabe-se que em quase todo Brasil já se ouviu falar da sua vida. Existe um pedaço da narrativa comum a todos denunciando que ser igual nas diferenças é nossa lei irrefutável. A vida de BW é como um espelho onde os brasileiros reconhecem a si e aos seus antepassados. BW é preto e é branco e num país miscigenado não é difícil que sua palavra toque cada um em seu pedaço mais intimo, pois no Brasil a maior das purezas é intensamente misturada.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sobre a greve quem se atreve?

Tudo é serio quando se brinca! E sobre a greve quem se atreve? Eu com minhas poucas linhas, militares corajosos, além de “marginais insaciáveis”. Peço licença para ousar escrever fragmentos de pensamentos forjados a partir da compreensão de que as ciências devem estar submetidas às condições sociais de determinado momento histórico. Assim, a formação acadêmica, cujas diretrizes formam tecnicamente as consciências para lerem e intervirem no mundo devem mirar a sociedade, é essa a sua razão. No entanto, frente à pluralidade de homens, as reflexões em muitos pontos se assemelham em respeito às diretrizes, em outros, singularizam-se com doses particulares de subjetividade em respeito às aspirações intelectuais e experiências de cada um. Frente a essas considerações, e ao que se percebe enquanto realidade para essa consciência, o texto trata da greve e desse atrevimento graças a essa.
A polícia militar baiana, fragmentada e dissolvida em suas inúmeras associações, deliberou uma greve que nessas condições começou enfraquecida. Ou seja, o movimento não foi aderido pelos pares como pretendido de modo que se arrasta respaldada pelo terror provocado, méritos do medo disseminado. Outro aspecto importante é a distorção entre o que pensa a associação de PMs e o próprio comando da corporação, as divergências impedem qualquer unidade na luta policial em prol da categoria. A desorganização política não surpreende frente à tamanha fragmentação. Falta planejamento estratégico e político, faltas graves, só não tão grave quanto empunhar armas para reivindicar pacificamente. A polícia armada desarmou o Estado/estado, em tese. As razões pelas quais se luta seriam fortes o suficiente se tivessem o apoio da maioria dos agentes ou da população que no geral não parecem apoiar o movimento. Assim, a PM da um tiro no próprio retrato e desfigura ainda mais a visão distorcida e às vezes bem fundamentada que a sociedade tem da instituição. Reduzir em apenas 6 dias o total de 7 pautas para apenas 2 nos fazem desconfiar da seriedade do movimento. Frente aos fatos, suspeita-se que a policia não seja composta somente por policiais, o que não caracteriza qualquer novidade sendo esse um raciocínio razoável. O movimento de greve joga um balde de sangue na tentativa do governo Wagner e da Secretaria de Segurança do Estado emplacar a marca de uma polícia amiga da comunidade.
O pacto pela vida foi chumbado em 5 dias com um saldo de mortos absurdo. Já é tarde e é possível que já não haja mais tempo para qualquer ação do Estado que assegure uma redução no número de mortos por homicídio e que, por fim, venha salvar sua política de segurança. O saldo positivo de uma pequena redução no número de mortes comemorado pelo governo no ano 2011 sofrerá alterações significativas, conseqüência tanto da greve policial quanto da greve auditiva do Estado que baseado em reivindicações não escutadas permitiu que a greve fosse uma realidade pelo menos para a minoria indignada... que, a título de curiosidade tem como interlocutor um ex. candidato ao Governo do estado pelo PSOL, onde qualquer semelhança com o radicalismo inconseqüente será mera coincidência. O pacto pela vida se vê ameaçado, não só pela greve. As contradições na política de segurança do Estado saltam aos olhos. O modelo já experimentado no RJ que “resolveu parte do problema” vem sendo adotado na Bahia com grande entusiasmo. No entanto, deve-se destacar que as nossas bases comunitárias continuam a não impedir homicídios e trafico de drogas nos locais implantadas. Falta capacidade técnica para gestão das bases e fundamentos estratégicos nas implantações. Segurança pública não se faz com propaganda. A política de segurança na Bahia sofre com suas próprias contradições na busca de um caminho desesperado que solucione o problema. Uma questão histórica não se resolve com medidas políticas em curto prazo. O uso ostensivo da força policial com mais homens e mais carros na rua associado a bases comunitárias mascara o problema numa tentativa desesperada de controle imediato das ameaças. Não adianta o marketing estatal de que existe uma gestão policial de paz se os mesmos canais que veiculam a mensagem denunciam a contradição quando escancaram nas TV,s baianas os corpos cravados de bala pela própria policia em horário do almoço, proporcionando esse tipo de alimento as nossas consciências. A greve de parte da PM baiana fez emergir tais contradições, alem de vandalismo, assaltos, mortes e arrastões pela cidade. Salvador cotidianamente parece viver em zona limite que vai da ordem a desordem. Quando a policia trabalha a ordem estabelecida se vê ameaçada por vezes, com números absurdos que o baiano já aprendeu a tolerar. No entanto, a greve instaurou a desordem legitima nos cantos da cidade. A zona limite foi rompida em vista da desordem e exigi-se muito do poder público para colocar ordem novamente na casa. Salvador é a capital do nordeste que bate recorde de desemprego. Escolaridade da população, e atraso no desenvolvimento do parque industrial são fortes variáveis para justificar a massa de desempregados no município. Uma cidade que pelas características deveria ser o grande laboratório do Brasil sem miséria. Nessas condições, a greve da policia militar representa a possibilidade de grande parte da população encher a dispensa e equipar suas casas com equipamentos novos e sem prestação. Uma pena que poupem as livrarias.
A Bahia é hoje carente de um modelo de gestão claro e funcional. O estado baiano gerido pelo PT insiste em medidas midiáticas e políticas na tentativa de resolver problemas reais dos seus cidadãos, problemas históricos. A administração extremamente política de Wagner tem como marca a ausência de qualquer caminho pragmático na gestão. A condução do país pela presidenta talvez tenha algo a oferecer e ensinar nesse sentido. Não há nada que impeça o PT baiano de aprender com o próprio PT na gestão Federal ou com o PSDB na gestão de MG. O aprendizado em vista da melhor gestão não representa qualquer contradição nesse sentido, pelo contrario, deveria ser uma tendência que muito teria de coerente haja vista as alianças políticas realizadas tanto a nível Federal pelo Partido dos Trabalhadores quanto a nível Estadual; onde atualmente PT flerta com PSD em SP.
A segurança pública passa pela gestão orgânica que é o reconhecimento da sociedade enquanto um todo interdependente. Na situação de greve da PM a segurança militar atinge nessa forma seu modelo maior de falta de segurança, pois, educação, saúde, alimentação, moradia, trabalho é antes de tudo SEGURANÇA. A ausência de políticas nas diversas áreas vitais torna a segurança militar necessária para combater a in-segurança resultado da negligencia histórica de defesa da vida e respeito ao povo baiano. A segurança militar é a segurança da insegurança histórico-criminosa. A greve pontual fundamentada em condições históricas deve ser negociada de maneira séria por parte do Governo Estadual e em caráter de urgência. O senhor Governador não deve afirmar que não negocia com criminosos, com esses se deve negociar até à ultima saliva, porque o seu silencio senhor governador, fez gritar 100 famílias ao chorar seus mortos. O seu silencio nos torna reféns do governo, policia, criminosos. O povo baiano tem escutado seu silêncio, a sua tradição sindicalista não é coerente nesse momento. A resolução da greve é uma urgência, pois, na Bahia de todos os Santos nem esses foram capazes de evitar que nossos jornais escrevessem mais um capitulo sangrento da nossa triste desgraça.

domingo, 17 de julho de 2011

A BATALHA

Fato! Contra fatos há argumentos. Bem, relativizemos. Contra alguns fatos há argumentos. O fato pode ser a impossibilidade do caso sendo o caso, ou melhor, o problema. Contra o fato há argumentos, geralmente de caráter místico religioso. Mais o que é um fato? Uma sentença? Depende da interpretação que seja dada ao mesmo; o fato é uma sentença, e tenho dito!
Ora, ora... Bem que o fato poderia ser uma fatalidade, não o é. A investigação trata da natureza disso que é o problema dessa vida nesse texto. O fato se impõe, dotado de uma certeza simples, vigorosa, irrefutável... Teoria e mais teorias e ele esta lá. Não se transforma, continua simples, não reivindica, não é prepotente nem arrogante, é simplesmente um simples fato. Desgraça convulsiva de fato!
Frente ao fato as disposições humanas de julgá-lo, interpretá-lo, perda de tempo... Pura perda de tempo, dedicação catalisadora de angústia e de brinde uma gastrite somática. Eis a existência, bosta ansiogênica... Existência assaltada e usurpada pelo fato. Fato, mereces um processo existencial, como podes com tua simplicidade ser tão forte? Ser tão certo!? Como podes agir silenciosamente no tempo sem que tua natureza sequer seja alterada, de onde vem tua força incorruptível? Teu silêncio não te explica e não se pode entender como tu embora no tempo se encontra fora dele. Se auto criaste? Quanta metafísica em uma realidade ao qual não se vê, no entanto es fato, é tão real que a ti a existência sucumbe... Como fugir do paradoxo? Inferno, mil vezes inferno! Se fizeres pergunta, a vida se torna um fardo, quanto pesas e aterra em terra uma existencia interna! As questões enraízam e se a cabeça foge ao espaço, os pés juntos permanecem no chão e os pés juntos te lembram o fato.
A epicidade intelectual desafia o fato, explicações, medos, justificativas, sensações, argumentos e mais argumentos, só/mente argumentos. O fato não se move, e se o faz é no seu tempo próprio, tempo que sentimos e não vemos, sempre com única finalidade, se move para eliminar tua existência. O fato firme te desafia; poderes humanos, científicos, argumentos filosóficos, nada o refuta. O entendimento humano limitado transforma o fato em frio na espinha dorsal. O máximo ódio junto a máxima raiva humana mantém o fato onde esta. Toda revolta explosiva humana é insuficiente ; o resultado disso é uma convulsão emocional, um desespero intelectual, um grito convulsivo, um ataque epilético frente à impossibilidade de derrotar a simplicidade do adversário. Ataque cardíaco com uma ânsia desesperada frente a um inimigo que se recusa a lutar. O desespero é o de dar vida aquilo que te mata, o inimigo é invencível... haaa desespero, nem tu es suficiente, faltam palavras, sentimentos, falta um consolo, o desespero é muito... O desespero é muito pouco enquanto tradução do desejo do desespero, que para ser honesto necessita beirar a explosão. Deus onde esta você?
Fato! Frente a este apenas a aceitação. Não há tranqüilidade na existência; lembro que tu és o visitante que bate a porta no seu tempo que é o tempo de cada um que não o sabe; a tua sentença é imposta não a mim, e sim a vida, a vida em mim... O fato é simples, é forte, te ponho um M, o fato é morte, onde tempo não é remédio, é dose, expira, morre.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Do óhhbvió

Ela é esse veneno que lentamente te invade,
É essa batida que acelerada encurta o fôlego,
Assim é o veneno da vida...
Internalizado nas veias.

Como o suspirar profundo
Desejando amordaçar a existência,
Assim é o homem vivo condenado, algemado no tormento.

Gritar, gemer, correr ao tumulo
Rumo do sangue tu existência contida.
Desesperada para não ser esquecida,
Artéria entupida estanca a vida!
Só o simples Fim...?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Automatismo Psíquico

Sempre soube que é entre as diferenças que reside o lugar onde nos perdemos... Ontem à noite o açoite soou e o povo estava a tremer na estrada que ligava o largo do desespero ao canto da esperança. As pessoas resolvem erguer um monumento em plena avenida... A oração que seguia, contagiava toda multidão que dizia saber a diferença entre o hipopótamo e a realidade mágica; a realidade mágica era algo típico das bruxas e das casas amarelas, sendo que estas sempre foram insuficientes a nação.
Foi assim que a verdade começou a ser contada e toda diferença parecia ser notória... No entanto o povo sempre acreditou que o samba era a única realidade do sangue e que os diferentes batuques nasceram para dividir a emoção da agonia mercantilizada. A enxada torna o ritmo natural desconexo, o som já não faz sentido... Ainda assim, as crianças sob um teto marrom de alambique e esperança tocam flautas e todos dançam pedindo ajuda.
Muitas vezes o homem saberá dos fatos ocorridos e a realidade da cidade perdida ficara esquecida na praça principal em sua lotação desenfreada, pois o povo que hoje corre já não lembra que morreu.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A desrazão e o paradoxo.

Que dimensão é essa? Que caminhos são esses por onde nós mesmos nos percebemos? Esperem! Ouço uma voz! Sou eu, estou afirmando, é sim a dimensão psicológica... Eu afirmo, e eles? O que eles fazem?
Eles poderiam te perguntar se a tua vida não mais é viva. Você teria a resposta! Sei bem o que tu diria, daria um riso com o canto da boca, olhos baixos, e murmuraria entre os dentes com bom humor é verdade “ é o habito”, muito bom humor. Então sabemos, é o habito meu amigo. Na cidade todos percebem que você já não caminha com 2 pés, são eles e o auxílio das tuas mãos curvadas, teus olhar é otimista, olha pra baixo e vê de cima... Problemas com a coluna meu jovem? Não senhor, jamais. Alguma observação deseja fazer que justifique a forma da sua coluna? Sim senhor! Pois bem, afirme “existência, ninguém alertara sobre as gramas e toneladas, sim, pesada”.
Vendo tal descrição percebemos que estamos a tratar da harmonia e imposição... Harmonia do mundo e imposição das formas de percebê-lo. Covardia? Porque não te deram oportunidades de escolha? Hum... Notem a imprensa, eles já sabem quem é você, fazem matérias sobre você e não citam a ausência de ferraduras. Teus calos remetem a essa ausência, esse reconhecimento do atrito mão/chão... As moças te perguntam, porque tens calos? E você o que faz? Você não responde! Alias, não sabe responder, se iguala aos calos, não percebe a simbiose redundante, redundância originada do teu silencio, tu é a ferida das tuas mãos, calos e eu, Eu/calo.
Como alguém conseguiu compreender aquilo que você escreveu mentalmente? Como conseguiram ler, não te parece mística essa experiência? Não soa curiosa? Quem leu o que tu escreveu, um dia disse, nossa! Disso resultou a curiosidade sobre a tua alimentação, as pessoas começaram a te questionar sobre aquilo que você come. O que você come? ouvia pelas ruas. Ninguém entendia porque você ria... Só tu sabes o porquê da tua resposta... Lembro-me como se fosse hoje, tua voz suave e grossa dizendo “vocês comem, eu farejo”... Os lógicos disseram em público – trata-se de um argumento carente, afirmado por uma voz fraca, trata-se de uma morte dissimulada. Você afirmou o espanto, espanto, espanto, mil vezes espanto, “quero comer o que vocês comem”! quanto alvoroço no teatro, você afirmava a subversão, o diretor te chamou no canto e disse – “é proibido a você”... Pobre animal. Era a voz da direção máxima, teatro era o que tu entendias por realidade, quanta ingenuidade.
Qual resultado da tragédia? A Fama... Já te perguntaste por que ficaste famoso? Qual o motivo? Sim sim, exato, tratava-se de um palhaço! Todos riam de ti. -- O que poderia haver de bom em tudo isso? Pergunta à senhora inquisição intuitiva. Lembra o que tu disseste aos pulos? Lembro-me! “trata-se senhora de uma perversão sexual não teorizada, gozar e gargalhar da gargalhada” a fama do animal é sempre engraçada e curiosa, eis a tua máxima!
A fama te trouxe o teu 1º amor, sim, tratava-se de algo inédito... Começaram os murmúrios no inferno... porque? Porque? Porque ele é capaz de amor? Ainda assim ele ama, por quê? Uma jovem ao se aproximar de ti, remeteu teu/eu a ele mesmo, e lançou isto – “porque você ama como você ama? ”E a humildade da tua resposta Ressuscitou Dom Quixote ”amo 17520 dias e 2 anos de vida, e para mim, números sempre foram mistérios”...
Quem grita nesse instante e atrapalha os caminhos por onde nós mesmos nos percebemos? Calma, silencio, preciso sair um instante... Dimensão psicológica, espaço em branco, tempo, reflexão , voltei! Era ele, o senhor editor que se aproximava, ele conta caracteres, palavras, pontos e virgulas... O editor inquisidor insiste em te dar as regras, pegou tua obra, ele nesse momento cataloga tuas paginas, ao final do capitulo ele te convida e diz – Chega com essa historia! Suja teu dedo na tinta, animal, dedo da pata na tinta, animal, carimba teu ponto final. E tudo se passava sob vigilância das câmeras, o que elas filmaram? Mais uma vez captaram teu sorriso sarcástico, e seu polegar pro alto sujo de tinta, e teus pensamentos denunciando em silencio a ironia deferida para o editor, e sabemos que no fundo você repetia “ponto final, ponto final, ponto final”... E você quando resolveu dizer alguma coisa, disse baixinho, murmurando cada vez mais baixo, “alto lá senhor inquisidor, mire essa caneta de tinta azul, ao repetir o ponto final, mais uma vez, em mais um momento, na mesma pagina de sempre, eles se aglomeraram, perceba uma coisa senhor, se pus um ponto final uma vez, pus ponto final 2 vezes, e pus ponto final 3 vezes, a tua ordem abre os meus caminhos, dos sobre pontos/finais, ficais a reticências ...” O senhor a essa altura já não compreendia mais entendia o que lhe era dito, tua boca foi calada afirmando a reticências... E se Aristóteles estivesse vivo poderia compreender melhor do que se trata, no entanto sua obra esta para poucos, mais tive acesso, dei sorte, compreendi mal o que ele disseste, no entanto a reticência afirmada é a energia que segue, e por favor, saibam de verdade que se és em potencia serás em ato... Passam dias!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Noticia de jorMal

Distante desse modo que me agrada escrever culpa da minha vontade que tem me apresentado uma vida artificial, me lembro de ter guardado em algum lugar do cérebro esse tempo onde respiro... Nessa constatação reconheço-me vivo numa experiência honesta comigo mesmo. Por essa condição, retomo esse lazer da escrita, pois as situações cotidianas sucedem-se e eu agente passivo continuo felizmente a sucumbir frente aquelas que aprendi perceber. A crônica da denuncia crônica que segue é senão um presente oxigenado fundamentada na relação entre a experiência cotidiana e uma noticia de jorMal.
Sendo honesto a tamanha oxigenação, reconheço que a ONDA VERDE do PV me fez pensar Salvador de maneira mais orgânica. A cidade esse organismo vivo com suas ruas/artérias, por onde passam os literais radicais livres (catadores de lata, de lixo, pedintes, flanelinhas, carros e etc.) fôra há alguns dias retratada por um PEQUENO jorMal de GRANDE circulação na cidade, ao fato, dedico essas linhas. Nessas já não cabem desenvolver uma tese acerca da metáfora cidade/organismo, no entanto, segue-se que continuarei tratando das ruas da cidade, do conteúdo das artérias, bem como da má-ticia, eis os fatos.
Um respeitadíssimo jormal referindo-se as ruas dessa cidade publicará uma MÁ/teria sobre um corredor sagrado na abençoada capital. Essa mencionava o corredor da vitória; perdoe-me, mas a reprodução que faço remonta as possíveis falhas da minha memória, no entanto tentarei preservar a preconceituo/precio/sidade da in/formação. A obra literária digna do Nobel dizia:
“O corredor da VITÓRIA símbolo da ostentação do luxo na cidade de salvador, com bela arquitetura, Museus, bela avenida por onde as tropas da vitória marcharam, hoje é símbolo do descaso e do abandono; tomada por moradores de rua, catadores de lixo e pedintes, o corredor se tornou um local inseguro. A população já não suporta os altos índices de assaltos que ocorrem em frente as suas residências. Medo e insegurança tomam conta da vitória”.
Numa escala de 0 a 10 sobre fidedignidade da informação, essa notícia é 11. As justificativas são claras: A primeira observação é que os atributos da Vitória devem exercer um poder de atração que expõe a contradição das suas qualidades tão eno/po/brecidas na matéria citada. Quanta atração dialética, o luxo do lixo é senão motivo das agremiações. A segunda é que no corredor da vitoria correÁdor da cidade e mais do que isso, conotando uma contradição radical, no corredor da vitoria as pessoas estão paradas, sentadas e de mãos estendidas na calçada. No corredor da vitoria a dor corre, escorre e se senta, provocando a ira de uns poucos.
No luxo da vitoria o luxo da derrota, luxo do lixo. O corredor da vitória ostenta as derrotas do não projeto de cidade. A vitória do fracasso resultado de valores historicamente construídos/veiculados, eis a coerência. A vitória da ausência de educação, saúde, trabalho, eis o seu troféu. Hoje quem desfila já não é o exército da salvação, e o JorMal foi sábio, é de fato um outro exército, pacífico e honesto afirmo. O exército da pobreza rica em gente. Moradores que forçam sua entrada no corredor aberto, multiplicidade de gente´s. A Rastafári que dialoga com seu amigo imaginário, os sindicalistas do incha pé próximo ao mercado, a vovó nutricionista que dá receitas e afirma que batata faz mal que o que faz bem é farinha. O senhor que organiza o transito vestido com seu paletó durante 365 dias no ano... Moradores tão autênticos quanto.
O tal jornal estandarte e porta voz de uma elite histérica e amedrontada nos faz um desserviço com sua má/teria. Notícias habituais e costumeiramente preconceituosas. Esses ao qual o jorMal se refere tem no espaço sua função social, parasitas do lixo “pioram”/melhoram a estética do corredor. As contradições urbanas têm nessa simbiose sua expressão mais honesta. Até os assaltos denunciados, caso existam, não são problema pra elite light. No trauma um gozo, no mínimo um pretexto para as compras. Na cidade desorganizada e ordenada, todos ganham tudo é comercio, tudo é capital, as preocupações vitorianas são resultado radical de um chilique estético e só.
O JorMal ataca aqueles que historicamente foram desprovidos da palavra, do direito a expressar-se e veicular suas idéias reinagurando o ciclo das violências. O arTIRO ( artigo que fere mais que bala) jornalístico comete mais um crime contra aqueles que não aparecem e quando o fazem é sob a égide das chagas preconceituosas fundamentada em valores discriminatórios historicamente construídos. Valores que os empurram ao lixo, cadeias, hospitais psiquiátricos, ruas, periferias. Valores que negam e não reconhecem naqueles que atacam o mínimo de humanidade. A animalidade ao qual são reduzidos produz um frisson aos ouvidos atentos. Talvez seja esse um dos nossos possíveis papeis: não negar a palavra quando podemos expressá-la, universitários que como eles sofrem e por isso, com eles lutam, sábia lição Freire.
Nessas breves considerações apresento as impressões de quem com-vive transitando no espaço, faço aqui uma breve recomendação, na verdade um alerta: cuidado com as noticias! Afinal nunca é tarde para advertências “antes tarde do que nunca”, ou melhor, antes nunca que Á TARDE, SALVEM os andarilhos, ou melhor, os trocadilhos.